top of page

Ceratose: o que o Lula vai tratar e quando você também deve se preocupar

  • Foto do escritor: Dra Amália Sathler- Oncodermatologista
    Dra Amália Sathler- Oncodermatologista
  • 24 de abr.
  • 2 min de leitura
Lula aparece com mancha na cabeça após procedimento para retirar acúmulo de pele, em fevereiro de 2026 — Foto: Mateus Bonomi/Reuters
Lula aparece com mancha na cabeça após procedimento para retirar acúmulo de pele, em fevereiro de 2026 — Foto: Mateus Bonomi/Reuters

No dia 23 de abril de 2026, veio a notícia de que o presidente Lula passaria por um procedimento para tratar uma ceratose no couro cabeludo. Isso levantou dúvidas em muita gente e também fez com que várias pessoas se reconhecessem nessa situação, já que se trata de uma condição bastante comum, principalmente em pessoas mais velhas e em áreas da pele que recebem mais sol ao longo da vida.


Afinal o que é uma ceratose? Parece um diagnóstico… mas não é bem assim. Ceratose é apenas um termo histopatológico, ou seja, descreve um achado ao microscópio: um aumento da camada mais superficial da pele (camada córnea). Isso significa que “ceratose” sozinha não define o diagnóstico. É preciso entender qual tipo de ceratose estamos vendo.


Na prática dermatológica, as duas principais ceratoses são a ceratose actínica e a ceratose seborreica. Parecem nomes feios e complicados, mas vou tentar explicar de forma simples cada uma delas.


  1. Ceratose actínica: ela é causada por exposição solar crônica, se apresenta como uma lesão geralmente vermelha e áspera, tipo “lixa”, quase imperceptível visualmente, mas bem palpável. Muito mais comum em áreas expostas ao Sol (rosto, couro cabeludo, mãos, antebraços) de pacientes idosos e com pele fotodanificada. O importante desse tipo de ceratose é porque é considerada uma lesão pré-maligna ou seja, com risco de evoluir para câncer de pele (carcinoma espinocelular). Por isso, precisa de tratamento e creio que seja o diagnóstico do presidente Lula.

  2. Ceratose seborreica: trata-se de uma lesão benigna, muito comum, tem um aspecto graxento, grudada na pele, pode ser clara ou escura e surge com o tempo, geralmente após os 30 anos. Ao contrário da ceratose actínica não tem risco de trasnformação em câncer de pele e o tratamento é opcional (mais por estética).

    Um exemplo clássico de paciente com ceratose seborreica é o ator Morgan Freeman

Por que esse tema importa?


Porque chamar tudo de “ceratose” pode gerar confusão e seria uma irresponsabilidade minha não alertar vocês. Sim, algumas ceratoses são inofensivas, mas outras precisam ser tratadas. E mais, lesões podem se parecer entre si e quem faz o diagnóstico correto é o dermatologista com auxílio do dermatoscópio e, se necessário, biópsia.


Nunca trate com métodos destrutivos (eletrocauterização química ou elétrica) uma ceratose sem o devido diagnóstico e nunca menospreze uma lesão de pele apenas por achar que ela é benigna.


 
 
 

Comentários


bottom of page