Câncer de pele: nem pânico, nem descaso. Entenda o risco real
- Dra Amália Sathler- Oncodermatologista

- 27 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de abr.
Eu sei que receber qualquer diagnóstico com a palavra câncer é assustador. Mas quando falamos especificamente de câncer de pele, esse diagnóstico costuma provocar duas reações opostas: há quem entre em pânico imediato, e há quem minimize, achando que “é só tirar e pronto”. Nenhuma dessas posturas traduz bem a realidade. A verdade está no meio e ela depende do tipo de câncer de pele que estamos lidando.

Primeiro, é importante entender que nem todo câncer de pele é igual. Existem formas mais comuns e menos agressivas, e outras mais raras, porém potencialmente graves. Por isso, generalizar pode ser perigoso.
Com qual tipo de câncer de pele você está lidando?
Carcinoma basocelular
O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais frequente. Ele representa cerca de 80% de todos os casos. A boa notícia é que sua mortalidade é extremamente baixa: em torno de 0,08 por 100.000 pessoas por ano em dados internacionais, ou seja, menos de 1 pessoa por milhão morre por esse tipo de câncer.
O risco de metástase é raríssimo, cerca de 0,004%, e, quando diagnosticado cedo, a taxa de cura se aproxima de 100%. Mas isso não significa que ele deva ser negligenciado, nem que possa ser tratado como benigno. Trata-se de um câncer de pele maligno com baixo potencial de metástase. No entanto, quando cresce sem tratamento, pode invadir estruturas profundas, causar deformidades funcionais e exigir cirurgias cada vez mais complexas.
Carcinoma espinocelular, ou escamoso
O carcinoma espinocelular é o segundo mais comum e merece mais atenção. Ele ainda tem uma mortalidade considerada baixa, mas significativamente maior que a do basocelular. O risco de metástase gira em torno de 1% a 2%. Em países como os Estados Unidos, estima-se que ele cause entre 2.500 e 8.000 mortes por ano. Ou seja, não é um câncer inofensivo, especialmente em idosos, imunossuprimidos ou em lesões negligenciadas.
Melanoma
O melanoma é o que mais preocupa e tende a ser o grande vilão dos tumores de pele. Embora represente apenas cerca de 1% dos cânceres de pele, é responsável pela maioria das mortes. Isso acontece porque tem maior capacidade de se espalhar pelo corpo.
A boa notícia é que, quando diagnosticado cedo, a chance de cura é muito alta: mais de 90% de sobrevida em 5 anos nos estágios iniciais. Por outro lado, em fases mais avançadas, o prognóstico muda bastante. Em estágios metastáticos, mesmo com tratamentos modernos, a sobrevida em longo prazo pode cair de forma significativa. Isso mostra claramente o impacto do diagnóstico precoce.
Carcinoma de células de Merkel e linfomas cutâneos
Existem tumores mais raros, como o carcinoma de células de Merkel, que, apesar de incomum, é bastante agressivo. Há também os linfomas cutâneos, cujo comportamento varia muito, desde quadros indolentes até doenças mais avançadas com impacto importante na sobrevida.
Todos esses dados são baseados principalmente em estudos internacionais, especialmente norte americanos, e ajudam a dar uma noção realista do cenário.
Então, qual é a mensagem mais importante?
Câncer de pele, na maioria das vezes, tem tratamento e cura, principalmente quando diagnosticado cedo.



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