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Câncer de pele é hereditário? Entenda sem medo qual o risco.

  • Foto do escritor: Dra Amália Sathler- Oncodermatologista
    Dra Amália Sathler- Oncodermatologista
  • 24 de abr.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 30 de abr.

Uma pergunta frequente no consultório é: “Doutora, se alguém da minha família teve câncer de pele… isso significa que eu também vou ter?”

Essa dúvida é muito comum e faz todo sentido. Quando a doença aparece na família, é natural pensar em herança genética e é natural ter medo. Mas o medo serve para te deixar alerta e preparado, não para te paralisar.

Entenda de uma vez por todas na maioria dos casos, câncer de pele não é simplesmente “hereditário”, ou seja, não é porque seu pai ou mãe tiveram que você invariavelmente terá. Então não tem nada a ver com genética?

Calma, pode ter sim mas não é tão direto quanto parece. Existem síndromes genéticas específicas, mais raras, em que o risco de câncer de pele é maior. Exemplos delas são o albinismo , o xeroderma pigmentoso, Li Fraumeni, Gorlin Goltz dentre outras. Nesses casos, há uma alteração genética herdada que realmente aumenta a chance da doença. Mas isso representa uma pequena parte dos casos. Acredito que poucos de vocês tenha ouvido falar de alguma dessas síndromes, não é mesmo??

Nem todo câncer de pele é igual

Lembrar que existem diferentes subtipos de câncer de pele muda tudo no raciocínio. Tendemos a generalizar e a colocar os riscos no mesmo pacote, mas nem tudo é assim.

O câncer de pele mais grave, o Melanoma pode ter componente genético mais relevante em algumas famílias do que o carcinoma basocelular e espinocelular que são mais comuns e estão muito mais ligados à exposição solar ao longo da vida.



Por que parece “hereditário” então?

Muitas famílias compartilham diagnósticos que se repetem por gerações. E é importante entender porque famílias compartilham mais do que genes, elas compartilham outros fatores de risco. Por exemplo:

Elas compartilham tipo de pele (mais clara ou mais sensível ao sol), com tendência à vermelhidão e queimadura.

Elas compartilham a tendência a maior quantidade de pintas (nevos). Também compartilham hábitos de vida como padrão de exposição solar (praia, piscina, trabalho ao ar livre, infância no sol). Isso faz com que o risco se concentre na família, mesmo sem uma doença genética formal.



E o risco muda entre populações?

Sim. Pessoas de pele e olhos claros, principalmente de ascendência europeia, têm maior risco geral, tanto por características da pele quanto pela forma como a radiação UV age nesses indivíduos.

Já algumas síndromes raras são mais comuns em regiões específicas do mundo, mas isso não muda a regra geral: a maior parte dos cânceres de pele está ligada ao sol, não à herança direta.


O que você deve fazer na prática então?

Aqui vão dicas sem alarmismo mas com responsabilidade:

  • Observe sua pele regularmente, faça seu autoexame

  • Fique atento a pintas novas ou que mudam de cor, textura e formato

  • Faça acompanhamento com dermatologista pelo menos anualmente

  • Proteja-se do sol (isso muda o seu risco real). Use roupas protetoras, chapéus, protetor solar.


Para te tranquilizar (e te orientar)

Ter alguém na família com câncer de pele? Isso não é uma sentença!!! Mas é um sinal de atenção.

Se eu fosse resumir em uma frase: Mais do que herdar o câncer de pele, muitas vezes herdamos o tipo de pele e os hábitos e isso é algo que você pode mudar a partir de hoje.

 
 
 

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