top of page

Olhe para sua orelha: você pode estar ignorando um câncer de pele

  • Foto do escritor: Dra Amália Sathler- Oncodermatologista
    Dra Amália Sathler- Oncodermatologista
  • 30 de abr.
  • 2 min de leitura

A orelha pode até parecer uma região discreta, mas quando falamos de câncer de pele, ela merece atenção redobrada. Isso porque faz parte da chamada zona H da face, uma área considerada de alto risco, onde tumores têm maior chance de comportamento agressivo, independentemente do tamanho.


Os tipos mais comuns de câncer de pele na orelha são o carcinoma espinocelular, o carcinoma basocelular e, menos frequentemente, o melanoma. Existe um ponto importante aqui: diferente do que acontece na maior parte do corpo, na orelha o carcinoma espinocelular é proporcionalmente mais frequente, sendo justamente o tipo com maior potencial de metástase.


Por que a orelha é uma área tão vulnerável

A resposta é simples: exposição solar crônica e negligenciada.



A orelha está constantemente exposta ao sol ao longo da vida, mas raramente recebe a devida proteção. Estudos mostram que apenas cerca de um em cada quatro pacientes aplica protetor solar nessa região. Esse hábito, somado a décadas de radiação ultravioleta acumulada, cria um cenário favorável para o desenvolvimento de tumores.


Além disso, a anatomia da orelha, com suas dobras, presença de cartilagem e pele mais fina, dificulta tanto a detecção precoce quanto a remoção completa das lesões.



Quem tem mais risco


Alguns fatores aumentam significativamente a chance de desenvolver câncer de pele na orelha:


  1. Homens, principalmente pela menor cobertura capilar e maior exposição solar ao longo da vida

  2. Idade avançada, sendo mais comum após os 70 anos

  3. Pele clara, olhos claros e cabelos loiros ou ruivos

  4. Histórico de exposição solar crônica

  5. Imunossupressão, como em pacientes transplantados

  6. Presença de lesões prévias, como ceratoses actínicas


O comportamento dos tumores na orelha


O câncer de pele nessa região tende a ser mais agressivo do que em outras áreas do corpo.


No caso do carcinoma espinocelular, há maior risco de metástase para linfonodos próximos, como parotídeos e cervicais, maior chance de recidiva após o tratamento e possibilidade de progressão mais rápida da doença.


Lesões localizadas na parte inferior da orelha, tumores mais espessos e aqueles pouco diferenciados apresentam risco ainda maior.


O carcinoma basocelular, apesar de raramente metastatizar, pode ser difícil de tratar na orelha pela dificuldade de obter margens cirúrgicas adequadas sem comprometer a anatomia local.


O melanoma, embora menos comum, também merece atenção. Pode surgir como uma mancha escura, frequentemente no lóbulo, e tem comportamento potencialmente agressivo.


Tratamento: por que a abordagem precisa ser precisa


Devido ao alto risco dessa localização, a cirurgia micrográfica de Mohs é frequentemente o tratamento de escolha. Essa técnica permite a remoção completa do tumor com preservação máxima do tecido saudável, reduzindo significativamente as taxas de recidiva.


O principal alerta


A orelha é frequentemente esquecida tanto na fotoproteção quanto no autoexame.


Por isso, vale reforçar

  • Use protetor solar também nas orelhas, incluindo a parte posterior

  • Observe qualquer ferida que não cicatriza, crosta persistente ou mancha que cresce

  • Procure avaliação dermatológica ao notar qualquer alteração


Cuidar da pele vai muito além do rosto. Muitas vezes, é justamente nas áreas mais negligenciadas que estão os maiores riscos.

 
 
 

Comentários


bottom of page