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Região genital também pode ter câncer de pele: entenda os riscos

  • Foto do escritor: Dra Amália Sathler- Oncodermatologista
    Dra Amália Sathler- Oncodermatologista
  • 30 de abr.
  • 3 min de leitura

Quando falamos em câncer de pele, a maioria das pessoas pensa imediatamente no sol como principal causa. E isso faz sentido, já que a radiação ultravioleta é, de fato, o principal fator de risco para a maioria dos casos.


Mas existe um ponto pouco conhecido e muito importante: o câncer de pele também pode surgir em áreas que praticamente não recebem sol, como a região genital. E isso costuma causar surpresa.


A região genital é considerada uma área de risco para câncer de pele não melanoma, especialmente para o carcinoma espinocelular. E, nesse caso, os fatores envolvidos são diferentes daqueles das áreas fotoexpostas:


O principal deles é a infecção por certos tipos de HPV.


O papilomavírus humano, especialmente os tipos de alto risco como o 16 e o 18, tem um papel direto no desenvolvimento de câncer na região anogenital. Esse vírus pode se integrar ao material genético das células e induzir alterações que favorecem o surgimento de tumores ao longo do tempo.


Outro fator importante é a inflamação crônica.


Doenças dermatológicas que acometem a região genital, como o líquen escleroso e o líquen plano, podem manter a pele em um estado inflamatório persistente. Com o passar dos anos, essa inflamação contínua aumenta o risco de transformação maligna.


A imunidade também tem um papel central.


Pessoas imunossuprimidas, como transplantados, pacientes com HIV ou em uso prolongado de medicações imunossupressoras, têm um risco significativamente maior de desenvolver esse tipo de câncer. Isso acontece porque o organismo tem mais dificuldade de controlar infecções como o HPV e de eliminar células alteradas.


Além disso, existem fatores históricos e ambientais.


A exposição a substâncias químicas carcinogênicas já foi associada ao câncer nessa região desde o século dezoito. E tratamentos antigos, como algumas formas de fototerapia, também mostraram aumento de risco específico para tumores genitais.


Existe ainda uma característica própria da pele dessa região.


A pele genital é mais fina, mais sensível e funciona como uma área de transição entre pele e mucosa. Isso facilita tanto a entrada de agentes infecciosos quanto a ação de substâncias irritantes. A umidade, o atrito e a oclusão também contribuem para um ambiente propício à inflamação persistente.


Tudo isso ajuda a entender por que o câncer de pele pode surgir ali, mesmo sem exposição solar.


Na prática, isso traz uma mensagem importante: ausência de sol não significa ausência de risco.


Quais sinais devem chamar atenção?

  • Feridas que não cicatrizam

  • Lesões que crescem ou mudam ao longo do tempo

  • Áreas esbranquiçadas, avermelhadas ou endurecidas

  • Sangramentos sem causa aparente ou durante a relação sexual

  • Verrugas persistentes ou que mudam de aspecto


Muitas vezes, por vergonha ou por achar que não é algo grave, essas lesões acabam sendo negligenciadas. E isso pode atrasar o diagnóstico.


Um ponto relevante é que, em algumas populações, especialmente em pessoas de pele mais escura, o carcinoma espinocelular pode ocorrer com mais frequência justamente em áreas não expostas ao sol, como a região anogenital. Isso reforça ainda mais a importância da avaliação adequada.


Um compromisso com você


A ideia aqui não é gerar preocupação excessiva, mas ampliar o entendimento. Câncer de pele não é uma doença única e nem sempre está relacionado ao sol.

Observar o próprio corpo, inclusive áreas menos visíveis, faz parte do cuidado com a saúde. E qualquer alteração persistente deve ser avaliada.


Diagnóstico precoce faz diferença, independentemente da localização.


 
 
 

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